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Decreto Presidencial n.º 37/20 de 27 de fevereiro

Detalhes
  • Diploma: Decreto Presidencial n.º 37/20 de 27 de fevereiro
  • Entidade Legisladora: Presidente da República
  • Publicação: Diário da República Iª Série n.º 21 de 27 de Fevereiro de 2020 (Pág. 1862)

Assunto​

Aprova o Memorando de Entendimento entre os Governos da República de Angola e da República do Ruanda, no domínio das Telecomunicações, Tecnologias da Comunicação, Pagamentos dos Serviços Digitais e Postais. - Revoga toda a legislação que contrarie o disposto no presente Diploma.

Conteúdo do Diploma​

Tendo em conta que a República de Angola e a República do Ruanda pretendem estabelecer uma cooperação bilateral no domínio das Telecomunicações, Tecnologias da Comunicação, Pagamentos dos Serviços Digitais e Postais, com o objectivo de construir e consolidar a sociedade da informação e do conhecimento dos respectivos países;

  • Considerando que os dois países almejam por intermédio dos instrumentos de cooperação assegurar a promoção da transferência de conhecimento e know-how nas áreas de Telecomunicações, Correios, Segurança de Tecnologias de Informação, Desenvolvimento de Aplicações e Soluções de Governança Electrónica e Serviços Electrónicos; Atendendo o disposto na alínea b) do artigo 5.º da Lei n.º 4/11, de 14 de Janeiro, dos Tratados Internacionais; O Presidente da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo 121.º e do n.º 1 do artigo 125.º, ambos da Constituição da República de Angola, o seguinte:

Artigo 1.º (Aprovação)​

É aprovado o Memorando de Entendimento entre os Governos da República de Angola e da República do Ruanda, no domínio das Telecomunicações, Tecnologias da Comunicação, Pagamentos dos Serviços Digitais e Postais, anexo ao presente Decreto Presidencial, de que é parte integrante.

Artigo 2.º (Revogação)​

É revogada toda a legislação que contrarie o disposto no presente Diploma.

Artigo 3.º (Dúvidas e Omissões)​

As dúvidas e omissões suscitadas na interpretação e aplicação do presente Decreto Presidencial são resolvidas pelo Presidente da República.

Artigo 4.º (Entrada em Vigor)​

O presente Diploma entra em vigor na data da sua publicação. Apreciado em Conselho de Ministros, em Luanda, aos 29 de Janeiro de 2020.

  • Publique-se. Luanda, aos 12 de Fevereiro de 2020. O Presidente da República, JOÃO MANUEL GONÇALVES LOURENÇO.

MEMORANDO DE ENTENDIMENTO​

DE COOPERAÇÃO NO DOMÍNIO DAS TELECOMUNICAÇÕES,​

TECNOLOGIA DE COMUNICAÇÃO, PAGAMENTOS DOS SERVIÇOS DIGITAIS E POSTAIS ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA​

Preâmbulo DE ANGOLA E O GOVERNO DA REPÚBLICA DO RUANDA O Governo da República de Angola e o Governo da República do Ruanda (a seguir designados conjuntamente por «Partes» e separadamente por «Parte»); Conscientes da importância das telecomunicações e das TIC no desenvolvimento económico, social e na construção de uma sociedade da informação inclusiva; Desejosos de encorajar e reforçar parcerias entre os actores económicos nas áreas das telecomunicações e das TIC de ambos países; Acordaram da seguinte forma:

Artigo 1.º (Objectivo)​

O objectivo deste Memorando de Entendimento (doravante denominado «MoU») é estabelecer as áreas e as modalidades de cooperação entre o Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação de Angola e o Ministério da Informação e Comunicações, Tecnologia e Inovação da República do Ruanda.

Artigo 2.º (Autoridades Competentes)​

As autoridades competentes responsáveis pela implementação deste Memorando serão:

  • a)- No caso da República do Ruanda:
    • i. O Ministério da Informação e Comunicações, Tecnologia e Inovação da República do Ruanda.
    • ii. RISA;
    • iii. RURA.
  • b)- No caso da República de Angola:
    • i. O Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação.
    • ii. INFOSI;
    • iii. INACOM.

Artigo 3.º (Âmbito da Cooperação)​

A cooperação entre as Partes incluirão os seguintes domínios relacionados com as Telecomunicações, as TIC e Serviços Postais:

  1. Estabelecer e implementar etapas e processos para iniciar a harmonização dos serviços de roaming entre ambos países;
  2. Promover o treinamento e intercâmbio de pesquisa para atender às novas necessidades decorrentes da evolução estrutural, institucional e tecnológica do Sector das Telecomunicações;
  3. Promover a transferência de conhecimento e know-how através da implementação de projectos concretos nas áreas de telecomunicações, correios, segurança de TI e desenvolvimento de aplicações e soluções, governança electrónica e serviços electrónicos;
  4. Desenvolver as relações comerciais entre os operadores do sector privado no campo das tecnologias de telecomunicações, informação e comunicação em ambos os países;
  5. Estabelecer um mecanismo de consulta para harmonizar as posições dos dois países nos órgãos e organizações internacionais especializadas nas áreas de telecomunicações, correios e tecnologias de informação e comunicação;
  6. Apoiar a cooperação no campo espacial, incluindo, mas não limitado a comunicações por satélite, capacitação em campo espacial, tecnologia de aplicação de comunicações por satélite e instalações, recursos humanos e melhorar continuamente a cobertura de redes de comunicações.

Artigo 4.º (Cooperação Técnica Entre as Instituições de TIC)​

Os objectivos acima mencionados serão focados sem limitação presumida, em particular nas seguintes actividades:

  1. No domínio de Serviços de Governo Electrónico:
    • a)- Colaborar nos serviços de governo electrónico que foram instaladas;
    • b)- Colaborar em soluções que foram implantadas;
    • c)- Colaborar em serviços de Datacenter;
    • d)- Colaborar em startups e inovações de TIC;
    • e)- Colaborar em tecnologias emergentes e segurança cibernética;
    • f)- Cooperar na implementação de infra-estruturas de segurança dos sistemas de informação (Certificação Electrónica, Infra-Estrutura de Chave Pública-PKI, Equipas de Resposta Cibernética de Emergência - CERT e Centros de Operação de Segurança - SOC);
    • g)- Trocar experiências no desenvolvimento de conteúdos de TIC (serviços online do governo electrónico, etc.);
    • h)- Organizar seminários, conferências, simpósios e workshops, assim como a participação de especialistas em actividades no quadro da modernização tecnológica da administração pública.
  2. No domínio da Formação e Capacitação:
    • a)- Intercâmbio regular de informações e documentação nos diversos domínios de treinamento relacionados às novas tecnologias;
    • b)- Transferência de engenharia de formação, mobilidade e intercâmbio de professores- pesquisadores, especialistas, advogados especializados e estudantes na Área de Telecomunicações, TIC e Serviços Postais;
    • c)- Promoção de cursos conjuntos de treinamento e reciclagem no domínio das tecnologias de informação e comunicação em ambos países;
    • d)- Organização conjunta em eventos científicos, técnicos e culturais no domínio das Telecomunicações, TIC e Serviços Postais;
    • e)- Cooperação na implementação de estudos estratégicos, pesquisa e desenvolvimento de projectos de inovação no domínio das telecomunicações.
  3. No domínio das Telecomunicações:
    • a)- Encorajar a cooperação técnica e comercial entre operadoras de telecomunicações e de TIC’s, operando respectivamente nos dois países;
    • b)- Promover e fortalecer o intercâmbio de informações e habilidades no domínio das telecomunicações e das TIC;
    • c)- Promover produtos de TI fabricados em África;
    • d)- Encorajar a cooperação entre os órgãos reguladores, as agências universais de financiamento de serviços de telecomunicações e TIC e as agências de gestão de frequência técnica dos dois países.
  4. Em Particular em Radiocomunicações:
    • a)- Promover a transferência de tecnologia e assistência técnica;
    • b)- Estabelecer uma estrutura para troca de experiências;
    • c)- Encorajar a cooperação e assistência no planeamento de bandas de frequências e engenharia de espectro;
    • d)- Encorajar a cooperação no domínio do espectro, e em especial dos sistemas de satélites;
    • e)- Desenvolver assistência na criação de ferramentas de coordenação e notificação;
    • f)- Estabelecer uma troca de especialistas no planeamento, gestão e controlo do espectro de frequências de rádio;
    • g)- Promover a cooperação na criação e funcionamento de um sistema automatizado de gestão do espectro;
    • h)- Promover a capacitação humana nas comunicações de rádio.
  5. No domínio dos Serviços de Pagamento Digital e Postal:
    • a)- Desenvolvimento da cooperação no domínio de serviços de pagamento digital que incluem dinheiro móvel e outros serviços de pagamento electrónico, implementação de projectos conjuntos relativos a dinheiro móvel e serviços financeiros, pagamentos electrónicos e serviços bancários, e de informações digitais postais;
    • b)- Estabelecimento de trocas electrónicas de transferências financeiras entre os dois países;
    • c)- Cooperação e troca de experiências no domínio do comércio electrónico;
    • d)- Desenvolvimento de programas de formação profissional entre os dois países.
  6. No domínio dos Centros Tecnológicos:
    • a)- Encorajar a troca de experiências recíprocas, conhecimentos e habilidades no domínio da administração de clusters de tecnologia e incubadoras de projectos;
    • b)- Promover e facilitar as parcerias de empresas e PMEs de ambos os países por meio de parcerias no sector das TIC;
    • c)- Encorajar os operadores e negócios dos dois países a activar o investimento mútuo em TIC e criar joint ventures. Essa troca de experiências pode levar em conta os seguintes aspectos:
      • a)- O estabelecimento de um comité de governação electrónica para entender e enriquecer projectos conjuntos de cooperação;
      • b)- Participação em actividades conjuntas organizadas por cada uma das partes com objectivo de fortalecer cooperação bilateral;
      • c)- Troca de informações sobre melhores práticas e ferramentas inovadoras no domínio do governo electrónico;
      • d)- Outras áreas de interesse comum no poder da governação, a com as quais as Partes possam acordar.

Artigo 5.º (Formação)​

As Partes concordam em cooperar na organização de actividades especiais no campo das TIC para melhorar habilidades e conhecimentos, bem como construir uma sociedade da informação inclusiva através de mecanismos apropriados de treinamento em TIC.

Artigo 6.º (Promoção e Encorajar Parcerias Comerciais)​

As Partes concordam em promover e encorajar o reforço de parcerias estratégicas entre empresas fabricantes e operadores que actuam no campo das TIC em ambos países, inclusive no compartilhamento de tecnologias nos campos das TIC.

Artigo 7.º (Roaming Internacional)​

As Partes manifestam a intenção de negociar e trabalhar diligentemente em conjunto para reduzir as tarifas bilaterais e internacionais de roaming.

Artigo 8.º (Implementação)​

A fim de dar efeito ao disposto nos artigos 4.º, 5.º e 6.º deste MoU as Partes estimularão as empresas fabricantes, instituições e operadores de ambos os países a estabelecer, por acordo, um quadro convencional que regule as condições e os procedimentos de criação de cooperação nos seus respectivos países. As Partes também definirão os procedimentos de trabalho necessários para assegurar a implementação exitosa deste MoU.

Artigo 9.º (Outros Acordos)​

As Partes poderão celebrar acordos suplementares dentro do escopo deste MoU, sempre que surgir uma necessidade.

Artigo 10.º (Tarefa Conjunta em Equipa)​

  1. Com a finalidade de facilitar a cooperação nos termos dos artigos 4.º, 5.º e 6.º deste MoU, as Partes estabelecerão Pontos Focais (PF) de cada lado.
  2. Os «PF» serão responsáveis pela coordenação e facilitação de um programa de cooperação que contenha as actividades de projecto de TIC acordadas sob este MoU;
  3. Os PF devem identificar instituições ou organizações relevantes de TIC necessárias para a colaboração de TIC entre os dois países.
  4. Os PF podem realizar consultas para identificar e definir outras actividades sob o artigo 3.º, revisar as actividades em andamento, fornecer relatórios às Partes ou discutir qualquer outro assunto relacionado a este MoU.

Artigo 11.º (Recursos e Financiamento)​

As disposições financeiras para a implementação das actividades no âmbito do MoU serão acordadas pelos participantes, caso a caso e não vinculativas.

Artigo 12.º (Natureza não Vinculativa do MoU)​

As partes reconhecem que este MoU não é vinculativo e não dá origem a obrigações legais.

Artigo 13.º (Direitos Beneficiários de Terceiros)​

As Partes não pretendem criar em qualquer outro indivíduo ou entidade, a condição de beneficiário de terceiros, e este Memorando não deve ser interpretado de forma a criar tal status. Os direitos, deveres e obrigações contidos neste MoU devem operar apenas entre as Partes e devem beneficiar apenas as Partes.

Artigo 14.º (Direito de Propriedade Intelectual)​

Quando os documentos são trocados entre as Partes, os direitos de propriedade intelectual em tal documento devem ser conferidos à Parte requerida.

Artigo 15.º (Confidencialidade)​

Nenhuma das partes divulgará ou distribuirá qualquer informação recebida da outra Parte que seja marcada como confidencial pela Parte originária, a menos que especificamente autorizada por escrito pela Parte originante antes da divulgação ou distribuição. A denúncia deste MoU não afectará as obrigações previstas neste artigo.

Artigo 16.º (Resolução de Litígios)​

Qualquer disputa entre as Partes, decorrente da interpretação ou implementação deste MoU, deverá ser resolvida amigavelmente por meio de consultas e/ou negociações entre as Partes.

Artigo 17.º (Alteração do Acordo)​

Este Memorando poderá ser emendado por consentimento mútuo das Partes por meio de troca de notas entre as Partes por meio do canal diplomático.

Artigo 18.º (Justiça)​

Cada parte pretende usar os melhores esforços de boa-fé para trabalhar em conjunto para alcançar os objectivos do MoU.

Artigo 19.º (Notificações)​

Para os objectivos deste MoU, incluindo a apresentação de avisos nos termos deste, cada parte deverá utilizar os canais diplomáticos normais existentes entre as partes.

Artigo 20.º (Entrada em Vigor)​

Este MoU entrará em vigor na data de sua assinatura.

Artigo 21.º (Duração)​

Este MoU permanecerá em vigor por um período inicial de cinco anos, renovável a pedido de qualquer uma das Partes.

Artigo 22.º (Término)​

Qualquer uma das Partes poderá rescindir este Memorando a qualquer momento, mediante notificação prévia de 6 (seis) meses de antecedência, por meio do canal diplomático, à outra Parte de sua intenção de terminar este Memorando. A rescisão deste MoU não afectará os termos das actividades que estão em andamento no momento da rescisão. Tais actividades continuarão até a sua conclusão, a menos que acordado de outra forma pelas Partes. Em fé do que, os abaixo assinados, devidamente autorizados por seus respectivos Governos, assinaram e selaram este MoU em 2 (dois) exemplares originais nas línguas portuguesa e inglesa, fazendo ambos os textos igualmente fé. Feito em Luanda, aos 20 de Junho de 2019. Pelo Governo da República de Angola - José Carvalho da Rocha, Ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Comunicações Informação. Pelo Governo da República do Ruanda - Paula Ingabire, Ministra da Informação e Comunicações, Tecnologia e Inovação.

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