Decreto Executivo n.º 387/17 de 17 de agosto
- Diploma: Decreto Executivo n.º 387/17 de 17 de agosto
- Entidade Legisladora: Ministério da Agricultura
- Publicação: Diário da República Iª Série n.º 141 de 17 de Agosto de 2017 (Pág. 3704)
Assunto
Hortícolas.
Conteúdo do Diploma
Havendo necessidade de se aprovar o Regulamento Técnico de Produção e Certificação de Sementes de Espécies Hortícolas, ao abrigo do estabelecido no Decreto Presidencial n.º 93/16, de 9 de Maio; Em conformidade com os poderes delegados pelo Presidente da República, nos termos do artigo 137.º da Constituição da República de Angola, e de acordo com o artigo 2.º do Decreto Presidencial n.º 6/10, de 24 de Fevereiro, combinado com o n.º 2 do artigo 65.º do Decreto Presidencial n.º 93/16, de 9 de Maio, determino:
Artigo 1.º (Aprovação)
É aprovado o Regulamento Técnico de Produção e Certificação de Sementes de Espécies Hortícolas, anexo ao presente Decreto Executivo e do qual é parte integrante.
Artigo 2.º (Dúvidas e Omissões)
As dúvidas e omissões resultantes da interpretação e aplicação do presente Decreto Executivo são resolvidas pelo Ministro da Agricultura.
Artigo 3.º (Entrada em Vigor)
Publique-se. Luanda, 17 de Agosto de 2017. O Ministro, Marcos Alexandre Nhunga.
REGULAMENTO TÉCNICO DE PRODUÇÃO E CERTIFICAÇÃO DE
SEMENTES DE ESPÉCIES HORTÍCOLAS
CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS
Artigo 1.º (Objecto)
O presente Regulamento estabelece as normas técnicas para produção e certificação de sementes de espécies hortícolas.
Artigo 2.º (Âmbito de Aplicação)
O presente Regulamento aplica-se a produção e certificação de sementes de hortícolas a admitir à comercialização de variedades dos géneros e espécies seguintes:
- a) - Abobóra - Curcubita máxima Duch;
- b) - Abobóra - porqueira - Curcubita pepo L.;
- c) - Agrião-de-água - Nastrum officinalis R.Br.;
- d) - Alface - Latuca sativa L.;
- e) - Alho-porro - Allium porrum L.;
- f) - Beringela - Solanum melongena L;
- g) - Bróculo - Brassica oleracea L.convar. botiys (L) Alef var.cymosa Duch;
- h) - Cebola - Allium cepa L;
- i) - Cenoura -Daucus carota L;
- j) - Coentro - Coriandro sativum;
- k) - Couve de bruxelas - Brassica olerácea L.convar, botrytis var.gemmifera DC;
- l) - Couve-da-china - Brassica pekinensis (Lour) Rupr;
- m) - Couve portuguesa - Brassica oleracea L-var. tronchuda Bailey;
- n) - Couve-flor - Brassica oleracea L.convar.borytis (L) Alef var.borytis L;
- o) - Couve-frisada - Brassica oleracea L.convar, acephala DC. Alef var. sebellina;
- p) - Couve-lombarda - Brassica olerácea L.convar, capitata (L.) Alef var.botrytis L;
- q) - Couve-rábano - Brassica oleracea L.convar, acephala (DC) Alef var. gongylodes L;
- r) - Couve-repolho - Brassica oleracea L.convar, capitata (L) Alef var alba DC;
- s) - Couve-roxa - Brassica oleracea L.convar, capitata (L) Alef var rubra DC;
- t) - Ervilha - Psium sativum L;
- u) - Espargo - Aspargus officinalis L;
- x) - Feijão - Phaseolus vulgaris L;
- y) - Feijão-frade - Vigna cilíndrica (1.) Sheeb;
- z) - Feijoeiro-escarlate - Phaseolus ciccineus L; aa) Lentilha - Lens culinaris Med; bb) Melancia - Citrullus lanatus MED; cc) Melão - Cucumis melo.L; dd) Nabo - Brassica rapa L; ee) Pepino - Cucumis sativus L; ff) Pimento - Capsicum annum L; gg) Quiabo - Hibiscus esculentum L; hh) Rabanete - Raphanus sativus L; ii) Salsa - Petroselinum crispum (Miller ) Nym. ex A.W.Hill.
Artigo 3.º (Definições)
Para efeitos do presente Regulamento, entende-se por;
- a) - «Androesterilidade», infertilidade do gâmeta masculino;
- b) - «Espécie», unidade básica do sistema taxonómico que designa o conjunto de indivíduos que partilham o mesmo fundo genético morfologicamente semelhantes e capazes de se cruzarem entre si em condições naturais;
- c) - «Espécie autogâmica», plantas que realizam autofecundação;
- d) - «Espécie alogâmica», plantas que fazem polinização cruzada;
- e) - «Estigma», área receptiva do pistilo das flores onde o grão de pólen inicia a germinação;
- f) - «Género», unidade taxonómica que agrega um conjunto de espécies botânicas;
- g) - «Organismos nocivos», aqueles cuja presença não é permitida junto às sementes;
- h) - «Polinização cruzada», ocorre quando o pólen de uma planta fertiliza o estigma da flor de outra planta;
- i) - «Pureza específica», indicação da ausência de impurezas como plantas silvestres, nocivas e outras que não sejam da mesma variedade;
- j) - «Pureza varietal», confirmação de que o lote contém apenas características fenotípica e genotípica conhecidas da variedade que deve ser mantida na multiplicação de sementes;
- k) - «Semente pré-básica», aquela que é produzida numa operação posterior a semente genética e anterior a semente básica, segundo as regras de manutenção da variedade;
- l) - «Semente básica», aquela que é produzida a partir da semente pré-básica à produção de sementes certificadas, mantendo elevado grau de pureza confirmada pela autoridade competente;
- m) - «Semente certificada», aquela proveniente da multiplicação de semente básica, tendo elevado grau de pureza e identidade genética devidamente identificada e garantida por um organismo competente;
- n) - «Semente pura», aquela pertencente a variedade da espécie indicada declarada pelo requerente, como sendo a predominante na amostra; citológicas, químicas ou outras, que se podem perpetuar por reprodução, multiplicação, ou propagação, mantendo as mesmas características.
Artigo 4.º (Categorias de Sementes a Admitir na Produção)
As categorias de sementes a admitir na produção de hortícolas são as seguintes:
- a) - Semente pré-básica;
- b) - Semente básica;
- c) - Semente certificada.
CAPÍTULO II CONDIÇÕES A SATISFAZER PELAS CULTURAS
Artigo 5.º (Condições)
Na produção e certificação de sementes de hortícolas devem ser observadas as seguintes condições:
- a) - Antecedente cultural;
- b) - Isolamento;
- c) - Estado cultural;
- d) - Organismos nocivos
- e) - Inspecção de campo;
- f) - Pureza varietal.
Artigo 6.º (Antecedente Cultural)
A cultura efectuada anteriormente em cada campo de produção de semente não deve ser da mesma espécie em questão.
Artigo 7.º (Isolamento)
- Os campos de multiplicação de sementes devem cumprir com as distâncias mínimas de isolamento em relação às fontes de pólen indesejável conforme estabelecido no Anexo I do presente Regulamento.
- As distâncias estabelecidas no Anexo I podem não ser respeitadas desde que exista uma protecção suficiente contra qualquer fonte de pólen indesejável e de doenças transmissíveis por semente.
Artigo 8.º (Estado Cultural)
O estado de desenvolvimento vegetativo da cultura deve permitir um contacto suficiente da identidade e da pureza varietal, assim como do estado sanitário das plantas.
Artigo 9.º (Organismos Nocivos)
- Não é permitida nas plantas e nos lotes de sementes a presença de pragas e doenças que sejam de quarentena.
- As doenças e pragas que reduzam o valor de utilização das sementes só são toleradas no limite mais baixo possível.
Artigo 10.º (Inspecção de Campo)
São realizadas as seguintes inspecções de campo:
- a) - Para as sementes de categoria pré-básica e básica uma inspecção;
Artigo 11.º (Pureza Varietal)
- Na determinação da pureza varietal das espécies autogâmicas, os limites máximos de plantas pertencentes a outras variedades ou a plantas manifestamente diferentes do tipo são os seguintes:
- a) - Espécies leguminosas das categorias, pré-básica e básica 0,3% e certificada 1%;
- b) - Outras espécies das categorias, pré-básica e básica 1% e certificada 3%.
- No caso das espécies alogâmicas as culturas devem possuir suficiente identidade e pureza varietal.
CAPÍTULO III REQUISITOS
Artigo 12.º (Controlo dos Lotes de Semente Produzida)
- Dos lotes de semente produzida nos campos de multiplicação são colhidas amostras a fim de serem submetidas a análises e ensaio para avaliação do cumprimento das normas, tolerâncias e outras condições definidas no presente Regulamento.
- As normas, tolerâncias e peso da amostra da semente a certificar devem cumprir com as normas e regras no que se refere:
- a) - À germinação;
- b) - À semente pura;
- c) - Ao teor máximo em peso de sementes de outras espécies;
- d) - Ao peso mínimo da amostra de acordo ao estabelecido no Anexo II do presente Regulamento.
- Para as variedades hibridas das espécies estabelecidas no Anexo II do presente Regulamento, o peso mínimo da amostra pode ser reduzido até 25% do peso fixado e não deve conter menos que 400 sementes puras.
- Quanto ao estado sanitário dos lotes de sementes, as sementes de leguminosas não devem estar contaminadas pelos insectos vivos nomeadamente, Acanthoscelides obtectus Sag., Bruchus affins Froel, bem como não é permitida a presença de ácaros vivos e a presença de outros organismos nocivos que reduzam a qualidade das sementes só é tolerada o limite mais baixo.
- O peso máximo dos lotes de sementes é o estabelecido no Anexo III do presente Regulamento.
ANEXO I
Distância de Isolamento
ANEXO III
Peso Máximo dos Lotes de Sementes
- a) - O peso máximo de um lote não pode exceder em mais de 5% do definido.
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